insenin
inse
insluar
insular
insu
eluc.
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eluc.
silêncio e mídias sociais
como começa o nosso silêncio. leio mais uns textos da luisa nóbrega que fala de wittgenstein e audição e surdez e fala. nunca li wittgenstein, não ainda, mas isso não importa. o que me impressiona é algo que se conecta com um instinto que não sei verbalizar – ou às vezes sei, não de forma objetiva.
existem quaisquer coisas que não se encaixam no objetivo. experiência de outra ordem; procura; mundo vasto; subversão. uns chamam de acaso e outros dizem que ele não existe, e nem é isso. às vezes se vê. uma pista: olha, isso me comove. eu não sei como descreve, posso tentar, é assim uma sensação. ou uma imagem desfigurada. um referente real que só tem sentido no meu hemisfério (da cabeça). o direito. ou tanto faz.
silêncio. num mundo que valoriza a fala, em que a comunicação é tanta que quase sufoca. em que não se tem controle sobre os seus dados, sobre a sua vida, e ainda vez em quando se ouve falar de chip intracutâneos: há poucas coisas que me atemorizam tanto. tem tanta gente que me pergunta porque, qual é o problema de usar o facebook? mas a gente está sendo catalogado, produzindo informação que as empresas vendem e você não está nem aí. eu conecto com meus amigos, diz, então tá, que argumento. tenho preguiça de discussões insistentes. talvez não, mas não me preocupo em convencer. não tanto. jogo uma imagem – mas você sabia que – e a pessoa permanece indiferente. quase todo mundo tem essa leveza imberbe no rosto, de sim eu consumo e daí, não, não penso sobre isso, pra quê, ah tá. tudo bem. é trabalhoso querer se ocupar do mundo. ninguém disse que.
mais simples é não entrar naquele mundo. todas as horas a fio que você passou preenchendo formulários, madrugadas vãs ou porque-não-mais-uma-rede-social me levam a uma quantidade ruim de spams gerados sem que perceba, perfis em sites que mal lembro e alguns que pegaram carona em algum contato menos cuidadoso do facebook. a situação se revela quando decidem usar seus dados para alguma coisa e você percebe, quando arruma um stalker, alguém que usa seu nome etc. ainda assim, em certa medida pode ser menos do que as empresas fazem por você todos os dias. privatizam o conteúdo que você fornece de bom grado, se divertindo, e te oferecem de volta produtos “compatíveis”. depois que eu pesquisei por câmeras encontrei-as em tudo. relembrei do adblock plus: santo remédio. publicidade grita.
se tivesse na pele ia ser mais difícil tirar. sair mundo afora procurando um espaço que não esteja controlado. mané foursquare. eu não quero ser catalogado. feliz fosse vontade comum. mas é difícil, todo mundo está lá e já foi. ilusão de que quando apaga apaga. mas mesmo assim, tentativa. se o regime endurecesse tava todo mundo na mão – salve-se quem puder. e se não é permitido ter medo, ao menos que se procure remédios. fuga voraz da doença – o outro, a contusão – e se não soubermos conviver enfermos, do jeito que estivermos – que podemos fazer? escapar ao sistema, sustentação. de ato, de ideia. não há um ato singular que seja pleno, completo, sem que seja contaminado pelo que está em volta. toda criação é uma criação coletiva. que aceitem todos os defensores de patentes e propriedades e quinquilharias. sabe-se pouco sobre o mundo; tudo o que nos vejo fazer é tentar segurá-lo, torná-lo pleno de si, pensando abarcar as ideias, todas as vias, as vidas contínuas, a miséria. achar que a solução do mundo é ele mesmo – às favas, os governos! – e o que me faz melhor é o meu dinheiro. a minha moeda de troca, porque ver mesmo eu vejo cada vez menos. cámbios, cámbios.
e como todo o alcance que temos se limita aos nossos corpos – aos mesmo tempo vastos e limítrofes, de exaltações alegres e tremeliques – a eles tentemos ouvir. supremo: quando se fala se ouve mais. o canto dos pássaros. barulho da água. meu corpo. os dos demais. o vento – ah! e o metrô andando: ele urra! e a locução falando: tudo bem, você está aqui. a todo tempo. respire.
fui para miguel pereira ficar 10 dias em silêncio. eram nove, no último podia. ouvi um relato comovente de uma grávida, que ainda não tinha saído do silêncio. tinha as pupilas dilatadas e falava como se atordoada pelo burburinho em volta: eu não sei como vocês conseguem. meditação é onda flamejante. eleva em algum ponto que não sei perpetuar as horas vagas, elas se multiplicam. falar é difícil: só o silêncio escuta. e ajusta os intelectos.
sabedoria sem-nome que vive dentro, às vezes foge, indecorosa, ou se esgarça e quase some. ali está. comunica – mas é pra dentro. esqueci como é que se faz. ah. e aprendi a gostar de lavar roupa. nas autonomias, estava faltando isso. não é fácil ser mundo.
agora os dias se estendem por além das barreiras. sobrepõem-se as datas, precisam existir custe o que for. hoje é quatorze de fevereiro, estou em niterói e não tá fazendo sentido tem meses, estou vivo e a questão do sentido se perde tem anos. vou escrever. não mais deixar em branco.
uma foto de perfil:
2017, estava triste
2023, estava triste
2015, estava feliz.
2021, mudei tanto de casa q fui pro lugar errado
2018, voltei a acreditar
2018, por pouco não morri
2020, fui embora joguei tudo fora
2024, estou vivo e há de haver caminho.
2019, fluxo, fluidez e muito medo
2019, copo derramado
2019, fúria alegre! movimento, luz, foco
2005, alegria agridoce começamos
2006, o mundo
2007, vivas (triste também)
2011, uma aventura, doeu
2011, começa a saga de casa.
sobreposição de montes, desta vez novidade;
aprender a mover os montes um por vez. os cascos.
astutos montes concedem abraços.
acolhi.
acolhedores cantos de tanta lucidez,
sem firulas,
com respiros,
sem bocados,
entredentes.
acolhedores montes de tantas mantas
cem invernos
toalhinha
praia no inverno entrecantos
– um ritual de chão,
lá em casa.
escopo de porventura
sossego
se entende o que vem e deixa o que vai.
sem erro.
compreensão do esforço e do zelo
cada qual se encaixa
aquece
por merecimento
o tamanho das palavras
e todos os silêncios imagéticos
mesmo os sem imagem:
só silêncio
às margens.
vento que tem campo
e canto
aberto à construção de
flores
e à recepção de
sementes
construção
invento.
nós fomos ricos nós fomos serelepes nós fomos turvos nós nos divertimos um bocado nós celebramos nós choramos mas tantas vezes e tantas horas sem saber um ensejo um caminho por onde ir um altiplano uma subida na esquina um cantinho aberto para ver o campo todo sorrindo a galera toda cantando um lugar ao menos sem partir o terreno o suor correndo a memória o desejo tanto sofrendo o amor eu amo derrete
mijar ali atrás meu encanto vem ser feliz de novo eu disse ela disse gritaram era louco gritaram não dá mais gritaram sem condição alguém lembrou que podia ser diferente e a gente abriu abriu ao largo na história fizeram rodinha fizeram dançar até o chão fizemos abraços múltiplos não é um sonho é construção meu amigo não romantize não tô romantizando tô vivendo amor
é partilha
é múltiplo
é uma torrente de danos que depois de tanta luta meu caro é isso agora não é perfeito é o que há é caminho é luta é disputa é jogo é jogo meu bem não se incendeie mais
eu incendiei a praça vinte vezes vocês viram?
eu compus manchas coloridas no chão eram azuis
pisotearam mil vezes apagou
o rastro ainda está ali
na rua naquele beco onde sonhamos era beijo era sonho não
na beira
num lapso de segundo
num cansaço extremo alegria nem sei
nem por um instante duvido
do saber
deste mundo
é vivo
é corpo
é junto
rumo, ruminância
a pensar se precisa de tudo isso que inventaram para o seu sustento. tudo aquilo que chamam de vida, com suas vias pré-programadas – para quê? se não serve para as gentes que dirá para o que há em volta; serve ao controle. é tudo a serviço do controle, sabemos disso.
sabe-se aquilo que se releva, somente. o que importa para cada continente. e todos os lances que escapam, que ficam fora do alcance, para que servirão? é verdade que tudo precisa servir para alguma coisa, ter um propósito, uma prontidão?
uma coisa que importa é se dedicar a si mesmo, minimamente. cuidar e esquecer de si. saber falar de si: não haverá ninguém mais se não houver você ali primeiro, a adorar e habitar o que possui. corpo, trabalho, ambiente, amores próprios e plurais. são todavida deles mesmos, e não adianta evitar, serão nobres se souberem aprender o desprendimento.
não há via que se salve se não cuidar. lacrimejar é raro, ao menos por aqui, mas vale o que leva. vai embora, cuidado! para que tanta cautela, não vem dali. o mundo é um só, a vida é muitas mas anda anda e continua seguindo, não há o que fazer. o dia é um só. amor é um só, até, seja aquele que foi ou o que ficou. difícil ver à frente; não adianta se dedicar às artes da previsão que somente se aprende a tomar cuidado. a se jogar da cachoeira não, e é só o estágio mínimo para aprender o lance.
jogar o corpo, deixar cair, deixar boiar, criar raízes
(aprender com o tempo, respeitar o tempo, respirar)
tem vezes em que só existe medo tentando, é preciso conhecer o medo real calafrio na real das coisas, sem antecipar ou pestanejar diante dos acontecimentos. expectativas demais e coroas e rodeios – tão inúteis!
sobretudo organização, jogos de deixa e segura, calafrios
escrever o texto sobre o trabalho:
ruminar o trabalho;
se dedicar.
como é difícil estar só quando não se tem um espaço! (e como foram dificultosas as itinerâncias acidentais desses últimos meses, não saber onde estar, é preciso existir primeiro para ser visto pelo outro (e estar com o outro é só movimento, não é preciso se preocupar))
torturar o amor até deixar passar
organizar o corpo, os amores correntes
(contracorrente de rio – nadar! nadar! nadar!)
a insistência no exílio como matéria infértil
(não se exila no concreto; somente nas montanhas ou à beira do mar)
porosidade
um gosto que recolhe vozes e conta suturas. magias capitais de um sem número de eventos perdidos delírios, tantos mais. tantos mais solfejos abertos, gorgeios espertos, apertos de mesa de bar. conversa fugaz, sonho sem razão. turva. não tem sentido mas há encontro. não chega a encostar.
sonhos abertos. fronteira de intelecto; separação. é sintomático que se procrastine o abraço, depois de, corpo afoito, encostar. aproximação em fala, conversa bonita, conversa. uma mulher exuberante e um garoto recatado — a mesma pessoa e duas. mira olhares que intercedem, encolhem suas forças brutas e afetos mágicos em recatados atos, desinteressadas informações.
você pode ser um monte, gigante e esbelto, mas tudo uma questão de lugar. de tempo e lugar e sorrisos que só se constrói quando há passagem. fortúnio, força de abertura. seriam ciclos, de lágrima e lástima, gozo e risadas. movimentos abruptos.
éramos sem chão enquanto construíamos prumos e aprumos, conversas contínuas, faíscas e acontecimentos. cotidiano de flores, criação conversa, criação dança y abraço alento. sustento.
atrito posto que asfalto, posto que conflito de grandes egos magistrais, montanhas. duas montanhas a faiscar, e então avalanche, corpo sem ar.
o corpo renova o gesto
absorve
somente entra
o que brota
entre as vestes
abismos mais não
agora, chão
coisalinda
absorto, pois
em toda sorte de assuntos
novos, de la casita
de la vida nova que
se instaura cá comigo
das idas à universidade
às atividades de escriba
viagens celestes transformam manhãs
com e sem sono
do sol em minha boca
da lua amarela, peste em fogo
amor
vem faceiro, agreste
permeado de vozes e vorazes inventos
cheios de vogais e consoantes
vociferando mais alto
mais turvo, mais manso
fizemos um filme
sim! película
nossa boca tem nome
uma imagem sequencial
em fita cobre celuloide
água faremos
em fluidos mergulho
como o filme
que transborda
e faz coro
com a floresta:
tem nome
vox ~ partituras de verbos y danças / por inês nin
*
brilho
clã
corro
respiro
ruído
sustento
vento
acaso acesso afeto amorzinho azuis ação caminho campo carta casa casa comum celeste chão cidade coletivo corpo cotidiano dança desenho encontro epílogo floresta fogo gesto img linhas lugar mato movimento multidão percurso poesia política prosa ra- ritmo rua sul texto trabalho txt versaletes verso viagem vida
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