no momento
que antecede
o recuo
ali
faíscas movediças eu vi
no momento
que antecede
o recuo
ali
faíscas movediças eu vi
rodopiar dentro de um campo
vem sem veneno
corporificar o gás
redescobrir as artérias
é fôlego é lucidez
fumaça irrompe
labareda
os nossos caminhos
multiplicam-se em roda
sabem encontrar uns
[aos outros
caem, sobem, vertem-se
em sabedorias milenares
repactua
o desejo
vem
celeste
caber
colhe
um contador de miniaturas. para poder antever tudo o que se dará, daqui pra frente, nunca atrás.
contável porque coisadura, mercado, minérios, vastidão de mundos domesticada numa única pílula tátil, apartamento.
adentrei o prédio, era possível; o possível que conseguia visualizar diante de tantos desejos de nomadismo e floresta, de construção, viagens. não havia permanência em viagens, nem sustento, somente vontades: braço que não alcança as frutas nos galhos superiores.
necessária suspensão das correntes, ainda que (tanto), furtivos invernos, forjados em verões que voltarão, um dia.
construção. intento de construir uns grandes monumentos, começando por pouco, um espaço, um fluxo de chão. aulas, algo com que sei lidar, aprendo a lidar, lido – está na fala e nos gestos um pouco de imensidão, de conhecimento. aprendizagem é algo que só se faz em curso, assim como mostrar: tornar visíveis processos, saber responder perguntas, localizar as pesquisas e tornar embates as vontades críticas, os permeios do sistema, e uns tantos modos de construir misturas. voluvear.
marte entrou em gêmeos
no dia do meu aniversário
minha lua, meio do céu, kiron
teu ascendente
agora mercúrio, almuten figuris
no meu mapa,
retrograda
do teu mercúrio ao meu
que dirão estas vozes
ou este silêncio
da libra ao virgo
da beleza à especificidade
da balança ao detalhe
irritado, diz alice
eu reconheço
há certo gozo do intelecto
convite para uma fala dançante
gorjeio gracioso
verborrágico
e quando isso acontece
é bom sinal
instiga, reverbera
a vênus, aliás
também virgo
é porque as vênus e es mercúrios
andam juntes
nos nossos mapas
em diferentes casas
e ainda mercúrio
volta a ficar direto
no dia do teu
aniversário
mesmo dia das eleições
aquele dia
que é lembrado
desde o reveillon
vibrando
uma virada
que nos faça pulsar
vida
e já sei, sabemos
como tantos indícios trazem
uma conciliação
algo de novo
não sei se de libra
ou de marte
se urano
ou a lua
acho que sim,
sagitário
como estava
no dia de sem palavras
quando cedo vitória disse,
no teatro,
algo sobre o amor
bem bonito, perco os detalhes
mas lembro
e falo
do dedo no cu
as pernas abertas
a bota
tomar no cu
você precisa
eu disse em verbo profanado
é real
sentir na pele
deixar entrar
;
naquele dia
da entrada de marte em gêmeos
respirei do estômago revolto,
de novo,
meu dia, reencontro
sabe lá o que seria
um show, uma névoa
uma cortina estilhaçada
um campo aberto de ideias
disse tudo ali
precisava
como pôr o corpo em riste
de novo
inventar outra maneira de
estar perto
sem esforço
sem desalento
reescrever o encontro
somente estar inteiro
lentidão,
como é bonita
a tua terra
como tece o teu segredo
entrementes
toda vida
como constrói
um arbusto
tão sereno
que tudo percebe
silencioso
arbusto
todavia
carrancudo
lento,
ameno
tão seguro de si
tão tormenta
terminaria todos os afetos
encurralando aquilo mesmo que vi
que vivi
em um ato
sereno,
contudo
um domingo
no campo asfalto
se nem montanha
amor
sobe
atravessa
todas as pontes
desato
desalinha
os montes
sinto muito, mas eu tenho essa memória
e é a minha parte preferida
eu não tenho vontade de dedicar a você pela recusa,
(e guardo meu carinho nos sonhos, até sumir, mesmo que leve tempo)
queria escrever uma carta para alguém imaginário,
pois tem sido muito difícil encontrar as pessoas nas multidões.
criar espaço em bagunças espasmos,
festas, amor estilhaçado
em multidões, de novo
emaranhados que acontecem
e participo
(nem sabe os meandros por onde passam, nessa vida, os abraços)
observações
de modos de vida,
lixos e materiais
comidas e animais,
amores,
abrigos,
sobram uns desejos
uma cidade que começa com uma ponte
ligando lugar nenhum a lugar nenhum:
um monumento ao espaço.
ponte venerada por ser matéria; veneração ao concreto.
escavadeiras como veículo “que torna o sonho possível”. é como se a decisão de um fosse de muitos, mas não.
vilarejo pacato com síndrome de auto-depreciação, alumínio.
terras férteis e de bom grado, mas não, escrutínio, quero ser grande, quero ser maior, quero ser super que é para não ter medo, coisificar, tornar planas as montanhas, construir teleféricos inertes, casas sobrepostas – que chique, os arranha-céus!
para onde foram os novelos, os sem medo que tomavam banho de rio até mais tarde, todas as coisas nulas (porque desprovidas de unidade material). valor!
são tão etéreos quanto nossas noites bebum, sentimento construído porque vontade, publicitárias vontades, aspecto vão de um supremo que não acontece.
bebemos pois a vida é curta e viver é ter força de trabalho incessante, até ver o pôr-do-sol no fim do dia; trabalhar mais, morrer do coração mas não deixar o serviço feito em cima da mesa. o lucro, meu caro, o lucro não é teu, ele é sempre de outrem, outra pessoa, aquela mesma que não dá valor pro teu ônibus ou para as tuas horas livres porque, bem, elxs têm o seu táxi, a sua boa comida, seu apartamento caríssimo em bairro nobre e toda a pompa. eles querem o serviço feito. e de boa vontade, porque tem tanta gente querendo lá fora..
aí você lembra da ponte, sim, a ponte! e não da árvore dócil da sua infância, que caiu num vendaval, dia de chuva furiosa, e tombou no chão.
a ponte é a matéria terrestre, legítima imperatriz do asfalto.. ops, se tornou. você nem lembra mais qual a origem ou o fim do processo, você não tem astúcia, foi se perdendo aos poucos, nos anos que se passaram e foram convertendo, sem que você sentisse, sua sensibilidade em automatismo, docilizando teu corpo e teu cérebro sem que percebesse, até que fosse só isso, corpo e cérebro, mais corpo que cérebro talvez, matéria pura, alheia de si, sem fluxo, sem devaneio.
porque o sangue correndo nas veias era também o teu chão, teu sentimento e pulsão em natureza mais que cíclica, veloz, modulável, rítmica. a pulsão que te fazia ou faria andar foi transformada em valor útil de mercado, tempo, vendido aos outros por um pouco de sossego, expectativa, comida, camisa e filhos, sem que pudesse notar o que acontecia.
teu sangue, meu caro, vale mais que a ponte. teu sossego é um devaneio à beira do rio. antes de virar canal, poluição, ponte.
o canário se aproxima
não é hora de se subjugar
tecer constelagens de pequenas falsas mordagens
firula, que nem algoz
diria que não
diriam que não tantas coisas
furtivas vozes que se refraseiam
e parafraseiam cristais
pardais sem nome
pássaros migrantes sem lugar sem hora
capaz
foste uma vez mudar
de capa, de penas, de anzóis
e casacos de chuva, para
dias secos que se seguem sem vez
aridez de tantos cantos
de danças que revigoram
caminhos
abraçam amigos fazem chorar
cantam vestígios de toda hora
prontidão
rastros cantos quebrados asfaltos
mortes pelas vertigens dos estados ali
amigos, de novo, presenciam
alguns
solfejos dos sem caminho
das fugas premeditadas
daqueles que guardam dinheiro há dois ou três anos
providências
barcos, tenho pensado em barcos
mais que aviões
que afundam, barcos, asas, pássaros
e modos de transporte menos lembrados
ainda que catracas, consulados, gente que irá te julgar
em tempos em que violam países
sempre violados, a história diz
tão frequentes as violações
que se pensar nisso não move uma pena
uma linha sequer
e tantas linhas se tecerão
pelos encontros as danças
nunca parar de dançar
nunca pestanejar, ainda que
inversões caminhos entremeâncias ainda sonhos
ainda diversos lugares viajo entrementes
danças, volto, rememoro, faço espiralar
nunca deixar de dançar nem os encontros
lá, a teoria, as ideias tão antepassadas
e que no entanto retornam
perduram, te atiçam em voz e são os universos que colidem
os tanto mais a incentivar
lance curioso
atrito produtivo
vontade
vaz
vox ~ partituras de verbos y danças / por inês nin
*
brilho
clã
corro
respiro
ruído
sustento
vento
acaso acesso afeto amorzinho azuis ação caminho campo carta casa casa comum celeste chão cidade coletivo corpo cotidiano dança desenho encontro epílogo floresta fogo gesto img linhas lugar mato movimento multidão percurso poesia política prosa ra- ritmo rua sul texto trabalho txt versaletes verso viagem vida
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