{"id":833,"date":"2016-07-11T00:12:28","date_gmt":"2016-07-11T03:12:28","guid":{"rendered":"http:\/\/inesnin.net\/ahora\/?p=690"},"modified":"2024-09-07T21:32:04","modified_gmt":"2024-09-08T00:32:04","slug":"asfalto-danca-revolvido-e-celeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/inesnin.net\/vox\/asfalto-danca-revolvido-e-celeste\/","title":{"rendered":"asfalto dan\u00e7a, revolvido e celeste"},"content":{"rendered":"<p>do que seremos capazes. quando estivermos em resid\u00eancia. quando estivermos juntos. quando soubermos desatar os la\u00e7os e n\u00e3o nos deixar contaminar pelas ruas. pelo ru\u00eddo que envolve.<\/p>\n<p>encruzilhadas de encontros e um tanto de terra descascada, casa &#8212; muitos moraram aqui. n\u00f3s estamos. um curto per\u00edodo de tempo, esses dias: vejo transi\u00e7\u00e3o. pra mim transi\u00e7\u00e3o, enfim transi\u00e7\u00e3o, de polir arestas transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>transitoriedade. estamos. rio de janeiro se imp\u00f5e transit\u00f3rio, quando cutuca suas terras abaixo, tantas camadas. seria n\u00e3o s\u00f3 o p\u00f3 que entra pelas janelas ou o ru\u00eddo alto de m\u00e1quinas, \u00e0s vezes acontece, como o samba. mas ele perdura. a serra el\u00e9trica \u00e9 t\u00e3o sab\u00e3o quanto as suas meias, voc\u00ea n\u00e3o questiona elas. voc\u00ea n\u00e3o questiona a serra el\u00e9trica e se pensar nem os helic\u00f3pteros (avi\u00f5es sentimos muito por essas bandas), nem a furadeira voc\u00ea considera. quem escolheu esse ru\u00eddo? haveria m\u00e1quinas silenciosas?<\/p>\n<p>tenho preferido manivelas e pedais e reco-recos a qualquer custo para n\u00e3o ensurdecer qualquer vizinhan\u00e7a, seja da minha casa ou de quem for. e minha casa minha d\u00edvida, minha d\u00favida ou desejo ou de fato algo que n\u00e3o existe. n\u00e3o existem quase casas no sentido lar numa cidade como essa, em que se atravessa t\u00faneis subterr\u00e2neos e ent\u00e3o todos viramos asfalto, aos poucos asfalto, que \u00e9 para casar com toda a m\u00e1fia das construtoras que nos assalta.<\/p>\n<p>tomados de assalto, abrupto, e no entanto leva anos. o balne\u00e1rio da tev\u00ea dos sonhos de tantos brasileiros e brasileiras, nesta ordem subalterna que tem tantas categorias pouco gentis e pouco dignas porque sim ordenaram, na terra onde se fez escravos, ent\u00e3o ref\u00fagio de uns brancos europeus que ent\u00e3o trouxeram armas e ainda matam nativos, hoje<\/p>\n<p>multid\u00e3o, faremos e somos e constru\u00edmos pontes entre as membranas que descolam e as camadas que v\u00eam \u00e0 superf\u00edcie como f\u00faria, furiosamente nos deixando atravessar por camadas que caem, pouco a pouco, todos os dias, furiosamente perfuradas por m\u00e1quinas ruidosas que constroem t\u00faneis por onde passa todo tipo de concreto e rios que n\u00e3o s\u00e3o mais rios mas f\u00e9tidos detritos disso que chamam saneamento b\u00e1sico, as pessoas.<\/p>\n<p>as pessoas se juntam, as pessoas colaboram. as pessoas pensam rua. as pessoas nunca ser\u00e3o un\u00edssono, multid\u00e3o n\u00e3o \u00e9 sobre isso. aprendi muito sobre dissenso e distens\u00e3o e uns saberes pr\u00e1ticos de autonomia (urbana) durante ocupa\u00e7\u00f5es de tempos e tempos, que de tempos em tempos ocorrem, e cruzamos com elas. s\u00e3o terreno de mistura e utopias postas \u00e0 mesa, a\u00e7\u00f5es e abra\u00e7os e conjuntas confus\u00f5es e desfiladeiros de acasos fortuitos, dentre outros movimentos<\/p>\n<p>o que ser\u00e1 todo esse concreto que nos envolve? ser\u00e3o os viadutos capazes de nos engolir? lembrar\u00e3o os carros do que um dia foram, quando n\u00e3o havia motores? como era viver sem motores?<\/p>\n<p>percorro ru\u00ednas com uma bicicleta.<\/p>\n<p>rela\u00e7\u00f5es com esfor\u00e7o, pernas. como meias, sab\u00e3o: rela\u00e7\u00f5es com esfor\u00e7o, bra\u00e7os. me yoga pela manh\u00e3, para assentar os m\u00fasculos e n\u00e3o tortur\u00e1-los demais. gradativamente. alcan\u00e7o<\/p>\n<p>subir montanhas era uma inten\u00e7\u00e3o perspicaz e h\u00e1 muito alimentada nisso que chamam rio &#8212; tantas matas &#8212; complexa de p\u00f4r em pr\u00e1tica assim como desejada, talvez por excesso de desejo, talvez pela cl\u00e1ssica fatalidade dos dias e das noites (e as divis\u00f5es dos tempos e do trabalho, nosso empecilho mais cl\u00e1ssico, assim como as noitadas)<\/p>\n<p>florestas de noite ainda existem, mas n\u00e3o as adentramos na cidade (sobreviv\u00eancia; prioridades)<\/p>\n<p>voaria l\u00e1 nos altos dos montes e pernas fortes, pernas dormentes, pernas crescentes assim como a lua que agora nos assiste l\u00e1 do alto, construindo lares acasos outros muito mais af\u00e1veis que quaisquer uns feitos em concreto<\/p>\n<p>s\u00e3o de mat\u00e9ria fluida os sonhos mais compridos e bonitos e velozes de saborear (\u00e9 poss\u00edvel viver de mat\u00e9ria, male\u00e1vel e componente f\u00e9rtil de outras casas, outras vozes, constru\u00e7\u00e3o elementar de inventos e mundos, sim casas, habita\u00e7\u00f5es e cotidianos)<\/p>\n<p>e cotidianos velozes, meu bem, sabemos, temos demais. mas se pensar outro tipo de velocidade, aquela dos sonhos, em que se est\u00e1 aqui e depois em outro lugar, assim seguido, assim sobreposto, tempo-colagem, curva<\/p>\n<p>quis trabalhar com t\u00e9cnicas velhas de fotografia porque sim nost\u00e1lgica, e tamb\u00e9m mercado de pulgas, o melhor das cidades, cheio das mem\u00f3rias dos nossos av\u00f3s que n\u00e3o foram nossos, mas participaram de um sobremundo que nos atravessa, que salta desses lugares quase esquecidos e vem c\u00e1 na nossa frente dizer que ainda existem (e em vivas cores, vivas vivas e pueris)<\/p>\n<p>de viagens pro estrangeiro tamb\u00e9m se enche o mercado de pulgas, a pra\u00e7a xv, e assim muitos mickeys povoam um imagin\u00e1rio infantil colonizado, que s\u00f3 tr\u00eas d\u00e9cadas depois come\u00e7a a se dar conta inteiramente do que ter\u00e1 afinal sido tudo aquilo, todos aqueles bichos que n\u00e3o existiam nessas terras, todos uns referenciais meio estranhos, coloridinhos, colonizadinhos, branquinhos e muito pouco cr\u00edticos, afinal<\/p>\n<p>(e de cr\u00edtica seremos muitos, mas tamb\u00e9m respirar, respirar, que n\u00e3o seja esse p\u00f3 que nos atravessa mas tamb\u00e9m a import\u00e2ncia t\u00e3o gigante de ser perme\u00e1vel, de n\u00e3o se afetar e assim criar ossos mais resistentes que possam sobreviver a tanta mat\u00e9ria revolvida dos solos, todos os passados remotos mais amendrontadores que sobem com tanta f\u00faria \u00e0 superf\u00edcie e dan\u00e7am<\/p>\n<p>dan\u00e7ar, vamos<\/p>\n<p>inesnin; casacomum<br \/>\n\u263e<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>do que seremos capazes. quando estivermos em resid\u00eancia. quando estivermos juntos. quando soubermos desatar os la\u00e7os e n\u00e3o nos deixar contaminar pelas ruas. pelo ru\u00eddo que envolve. encruzilhadas de encontros e um tanto de terra descascada, casa &#8212; muitos moraram aqui. n\u00f3s estamos. um curto per\u00edodo de tempo, esses dias: vejo transi\u00e7\u00e3o. pra mim transi\u00e7\u00e3o, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,6,7,126],"tags":[12,163,164,15,165,166],"class_list":["post-833","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cla","category-ruido","category-sustento","category-versaletes","tag-casa","tag-casa-comum","tag-coletivo","tag-danca","tag-residencia","tag-tempo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/inesnin.net\/vox\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/833","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/inesnin.net\/vox\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/inesnin.net\/vox\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/inesnin.net\/vox\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/inesnin.net\/vox\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=833"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/inesnin.net\/vox\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/833\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":845,"href":"https:\/\/inesnin.net\/vox\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/833\/revisions\/845"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/inesnin.net\/vox\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=833"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/inesnin.net\/vox\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=833"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/inesnin.net\/vox\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=833"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}