{"id":819,"date":"2013-02-24T06:51:32","date_gmt":"2013-02-24T09:51:32","guid":{"rendered":"http:\/\/ahora.azuis.net\/?p=292"},"modified":"2013-02-24T06:51:32","modified_gmt":"2013-02-24T09:51:32","slug":"postulados-de-transito-afonso-pena-no-meio-do-trajeto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/inesnin.net\/vox\/postulados-de-transito-afonso-pena-no-meio-do-trajeto\/","title":{"rendered":"postulados de tr\u00e2nsito: afonso pena, no meio do trajeto"},"content":{"rendered":"<p><em>chego sobre rodas, ponho os p\u00e9s na pra\u00e7a<\/em><\/p>\n<p>pontos a favor em uma cidade \u00faltima. parar de repetir monumentos.<\/p>\n<p>o que fazer com as hist\u00f3rias das gentes todas que habitam, como seguem seu ritmo di\u00e1rio, interrompido por fachadas de obras, tristezas, demoli\u00e7\u00f5es, ruas sem sentido, gente sem ruas, gente sem mala para carregar por a\u00ed.<\/p>\n<p>aceitar mudan\u00e7as. o que \u00e9 poss\u00edvel de fazer para que justi\u00e7as se efetivem n\u00f3s faremos, mas \u00e9 fato que h\u00e1 tanto e t\u00e3o que \u00e9 feito sem consentimento (das gentes que habitam) e que, ainda de tudo, desejam que fiquem contentes.<\/p>\n<p>criam m\u00eddia brinquedinho, todo tipo de propaganda, que olhos um pouco mais s\u00e9rios (e nem precisa ser muito) j\u00e1 tiram de campo. s\u00f3 que o campo insiste, \u00e9 poderoso e tem lugar. convive-se. como \u00e9 que convive.<\/p>\n<p>adapta\u00e7\u00e3o e derivas noturnas pelo bairro trocado, que por vezes encontram medo, noutras simplesmente nada, ventinho. muito grato fica meu ver\u00e3o com seu ventinho, tijuca.<\/p>\n<p>um m\u00e9todo de conhecimento: primeiro, tem que andar de \u00f4nibus. a p\u00e9, de \u00f4nibus, de trem, de metr\u00f4, de carro, de moto, de bicicleta. desses, os principais s\u00e3o os p\u00e9s, para mapear os arredores mais pr\u00f3ximos, conhecer a padaria, a loja de material de constru\u00e7\u00e3o. o segundo muito \u00fatil \u00e9 bicicleta, para poder ir a por\u00e7\u00f5es mais largas do lugar e por exemplo descobrir uma pracinha charmosa, um supermercado maior, at\u00e9 o lugar onde tem mato e escola de artes. conversar com as pessoas \u2013 eu n\u00e3o sou daqui \u2013 e se apresenta.<\/p>\n<p>andar de \u00f4nibus \u00e9 importante (se contraposto a meios como carro ou metr\u00f4, fique claro, porque de fato os monstrengos engolem a cidade! eles <em>s\u00e3o<\/em> a cidade, a\u00ed \u00e9 que est\u00e1) porque deles se v\u00ea o trajeto, o meio do caminho entre um lugar e outro. entende por que \u00e9 que \u00e9 longe, por onde tem que passar, as ruas sujas ou pretas, o samb\u00f3dromo. \u00e9 louco que haja uma cidade com tantos viadutos e contus\u00f5es, mas h\u00e1! e muitas, com muito mais. esgoto e terras sujas temos de monte. como \u00e9 que pode entender o asfalto que se instala nas terras f\u00e9rteis e perfumadas da serra, eu n\u00e3o sei. l\u00e1 s\u00f3 \u00e9 bonito porque a estrada \u00e9 de terra, passa pouco carro, as \u00e1rvores ainda est\u00e3o em p\u00e9. os vizinhos se visitam e d\u00e3o carona tranquilamente. e mesmo assim a cidade cresce, quer crescer, copiar nossos industrialismos importados, n\u00e3o vejo motivo.<\/p>\n<p>o que \u00e9 curioso do \u00f4nibus \u00e9 que ali se encontram dois ambientes contrapostos \u2013 interior e exterior \u2013 e um v\u00ea ao outro. um ambiente (dentro) \u00e9 quase t\u00e3o p\u00fablico quanto o de fora. tudo bem, mas assim \u00e9 o metr\u00f4, que com sua alta voltagem passa batido das leis de tr\u00e2nsito. \u00e9 um corredor. s\u00f3 que no metr\u00f4 n\u00e3o h\u00e1 um fora. \u00e9 primo distante do avi\u00e3o. a sensa\u00e7\u00e3o de tr\u00e2nsito \u2013 de percurso, viv\u00eancia do caminho, dist\u00e2ncia \u2013 quase se anula nesse dentro\/fora que n\u00e3o transparece.<\/p>\n<p>a bicicleta \u00e9 o meio m\u00e1ximo de euforia que um cidad\u00e3o pode chegar, sem gastar um tost\u00e3o. viajante que se arrisca a meio-mist\u00e9rio, tem turbinas pr\u00f3prias: um mecanismo simples e seu pr\u00f3prio corpo. atravessa montanhas se for persistente. a vida urbana tem seus afagos, e um dos mais subestimados \u00e9 o potencial do ciclista. carros s\u00e3o da ordem do n\u00e3o fazer esfor\u00e7o, de monstros-m\u00e1quinas, de posse. at\u00e9 mesmo de seguran\u00e7a, porque isola. h\u00e1 carros que n\u00e3o fazem nenhum sentido de serem t\u00e3o grandes, soltar tanta fuma\u00e7a. sem vento no rosto, sem mexer as pernas. n\u00e3o raro ignoram o ciclista como se ele n\u00e3o pudesse estar ali. quanto a isso, suponho que dever\u00edamos difundir melhor algumas ideias b\u00e1sicas de conviv\u00eancia: na rua cabe eu e cabe voc\u00ea. a 1,5m de dist\u00e2ncia, para n\u00e3o haja feridos.<\/p>\n<p>\/\/<\/p>\n<p>dois meses sem bicicleta, com medo do asfalto e do t\u00fanel que tem goteiras. irrita\u00e7\u00e3o cont\u00ednua com homens que, por puro h\u00e1bito, s\u00f3 pensam em perpetuar a esp\u00e9cie. voc\u00ea desce da bicicleta e pede informa\u00e7\u00e3o, te olham de cima a baixo. princesa. deseduca\u00e7\u00e3o obtusa, delega\u00e7\u00e3o. insulto. queria ter um caralho bem grande para bater na cabe\u00e7a desses homens todos. mas sim, sei, o processo \u00e9 outro.<\/p>\n<p>da\u00ed que peguei a bicicleta e fui conhecer a pra\u00e7a afonso pena, de perto. antes, s\u00f3 via no trajeto da janela do \u00f4nibus. me parecia simp\u00e1tica. decis\u00e3o, uma regra: pegar a bicicleta, ir at\u00e9 em casa. parar no caminho, pisar na pra\u00e7a. tentativa de entender o percurso, aprender o nome das ruas, somar com mais um rosto entre os passantes.<\/p>\n<p>escolho uma loja (a cidade nada mais \u00e9 que um conglomerado de lojas, e \u00f4nibus). pizzaria, tem cara de popular, vende fatia. ponto. muito mais barata que qualquer uma das que tem perto de casa. no interior, s\u00f3 vejo velhinhos (uns 3 ou 4) que me estranham a presen\u00e7a, mais uma fam\u00edlia com crian\u00e7as e os funcion\u00e1rios do local (todos homens). assistem televis\u00e3o. a pizza \u00e9 boa, marguerita, servida na mesa, com catchup. compro \u00e1gua no bar do lado cujo balconista me diz: todos os caminhos aqui te levam \u00e0 rua que voc\u00ea procura. que loucura de f\u00e1cil, n\u00e3o pode ser.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>chego sobre rodas, ponho os p\u00e9s na pra\u00e7a pontos a favor em uma cidade \u00faltima. parar de repetir monumentos. o que fazer com as hist\u00f3rias das gentes todas que habitam, como seguem seu ritmo di\u00e1rio, interrompido por fachadas de obras, tristezas, demoli\u00e7\u00f5es, ruas sem sentido, gente sem ruas, gente sem mala para carregar por a\u00ed. 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