{"id":357,"date":"2017-08-05T15:52:04","date_gmt":"2017-08-05T18:52:04","guid":{"rendered":"http:\/\/inesnin.net\/vox\/?p=357"},"modified":"2018-05-09T16:00:50","modified_gmt":"2018-05-09T19:00:50","slug":"horizonte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/inesnin.net\/vox\/horizonte\/","title":{"rendered":"horizonte"},"content":{"rendered":"<p>ativar o corpo para remexer o que tanto paralisa. reorganiza\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas, adquirir novas trilhas e novos sustentos, \u00e9 o que chamo de enviesar. olhar doutros modos, refazer maneiras, procurar.<\/p>\n<p>o que pulveriza por a\u00ed que vem em textos acordes almeja uma montanha, um monte, um percurso. \u00e9 por ora um sopro, \u00e0s vezes no vendaval. ainda acredito na pot\u00eancia da fala mas sobretudo da fala enquanto solfejo, em que nem toda a forma \u00e9 apreendida e assim ela de certa forma se defende, n\u00e3o se diz de qu\u00ea, da apreens\u00e3o coletiva autom\u00e1tica per se. da imediata conclus\u00e3o. da voz que detona mas n\u00e3o se d\u00e1 \u00e0 escuta. e, tamb\u00e9m, a tudo que se refere a um modo de ler que a tudo j\u00e1 d\u00e1 por compreendido, como se todas as refer\u00eancias fossem elas mesmas j\u00e1 conhecidas, e n\u00e3o se pudesse crer ou criar.<\/p>\n<p>outra coisa. obviamente que isso n\u00e3o \u00e9 tudo. h\u00e1 uma beleza, por vezes, e uma beleza lancinante, algo agudo e inexprim\u00edvel talvez, naquilo que criptografa. no canto do quadro que n\u00e3o podemos ver, na obra que n\u00e3o sabemos acessar, naquela pessoa que tanto nos instiga e fala de mundos desconhecidos ou que se sabem inventos, sustent\u00e1veis qui\u00e7\u00e1, outro ch\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00e9 fato que o mundo saturado de fala e de imagem, muito mais do que \u00e9 poss\u00edvel uma pessoa absorver e decodificar &#8211; e \u00e9 saliente observar, que por pura repeti\u00e7\u00e3o e senso de participa\u00e7\u00e3o s\u00e3o tantas as gentes que sim se habituam a tamanha quantidade, e tamanha qualidade nula que acaba por ecoar destes eixos &#8211; esse mundo me cala. provoca uma qualidade paralisante e uma esp\u00e9cie de asfixia n\u00e3o passageira, que em busca de sentido e conex\u00e3o, come\u00e7a a destinar-se ao ar ele mesmo, esse que n\u00e3o \u00e9 nada puro mas espalha asfalto e carbono, combust\u00e3o.<\/p>\n<p>e ent\u00e3o s\u00f3 falo de combust\u00e3o. observo a mat\u00e9ria de que s\u00e3o feitas as coisas, e isso inclui o meu corpo. come\u00e7o a pensar sobre pr\u00e1ticas cotidianas e as pratico a custo para que sejam reais, para que aconte\u00e7am, que n\u00e3o residam somente no discurso.<\/p>\n<p>por vezes acusam isto de gesto extremo, que \u00e0 cidade tudo se converte, tudo se relativiza. diante do capital tudo se torna flex\u00edvel, e a ele adentra. a loja mais barata \u00e9 grande, pertence a um grande bilion\u00e1rio ou at\u00e9 a donos de um conglomerado, desses que s\u00e3o donos de quase tudo, muitas marcas. at\u00e9 da \u00e1gua. mas sim, a \u00e1gua \u00e9 o primeiro elemento b\u00e1sico a servir \u00e0 vida, e a vida serve ao dinheiro. para garantir isso devemos nos apropriar da \u00e1gua. para que nenhum corpo, vivo, possa escapar.<\/p>\n<p>um mundo sem volta. \u00e9 o que dizem uns. pois que descubro que ainda h\u00e1 sim sementes de milho no brasil que escapam \u00e0 monsanto, que s\u00e3o org\u00e2nicas, livres de altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas e pesticidas &#8211; aleluia &#8211; e as posso acessar. isso principalmente porque est\u00e3o justo com aquelas pessoas que a muito custo as distribuem, e as buscam, \u00e0s vezes viajam para reuni-las. participam da coisa mais bonita, que \u00e9 o devir comunit\u00e1rio. \u00e9 a salvaguarda da vida e do sossego, n\u00e3o sem luta. \u00e9 a comunidade que fortalece. as vidas que se unem e s\u00f3 usam um m\u00ednimo do capital para sustento, e sim, participam, mas primeiro se dedicam a existir enquanto organismo, sim com alegria, encontros e coliga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>almo\u00e7os coletivos, org\u00e2nicos, em que cada um lava sua lou\u00e7a e todos se unem para alternar-se entre todas as tarefas, sem que haja empregados, rela\u00e7\u00f5es trabalhistas, compra e venda e explora\u00e7\u00e3o. h\u00e1 o que chamam de com\u00e9rcio justo e solid\u00e1rio, comecei a lhe dar ouvidos, aprendo e vejo. \u00e9 claro que ao iniciar esta fala corre-se o risco de romantizar, de crer que n\u00e3o haver\u00e1 rela\u00e7\u00f5es abusivas, divis\u00f5es question\u00e1veis de tarefas entre homem e mulher, o peso das tradi\u00e7\u00f5es, as institui\u00e7\u00f5es da fam\u00edlia e da propriedade.<\/p>\n<p>no intento da constru\u00e7\u00e3o de mundos em que se queira habitar e em que respirar n\u00e3o seja um ato s\u00f4frego, que se possa escolher destinos e inventar po\u00e9ticas com alguma liberdade, \u00e9 tamb\u00e9m a constru\u00e7\u00e3o de um mundo que n\u00e3o esteja aprisionado pelo sustento. que possibilite a cria\u00e7\u00e3o de asas pr\u00f3prias e que isso n\u00e3o seja uma mera express\u00e3o metaf\u00f3rica, t\u00e3o desgastada e publicizada, nem que venha a ser uma subst\u00e2ncia comercial a gerar essa sess\u00e3o de euforia tonal e fugaz, cuidadosamente gourmetizada, artificalizada e em suma, ineficaz.<\/p>\n<p>n\u00e3o existe autonomia que passe pela compra de sensa\u00e7\u00f5es e de rela\u00e7\u00f5es de sustento e de ganhos. \u00e9 preciso cavar mais fundo.<\/p>\n<p>resisto \u00e0 forma de protesto quase sempre por de novo me sentir tolhida na fala, me fazer tamb\u00e9m. zumbido na fala, fala demais. e ent\u00e3o as pol\u00edcias de estados absolutamente surdas e gravemente repetitivas continuam a tacar bombas a quem quer que fale, ou quem tenha apar\u00eancia de, ou simplesmente a quem esteja vulner\u00e1vel. lidar com o estado vulner\u00e1vel em p\u00fablico, encontrar uma forma em que se acredite e estar sempre suscet\u00edvel a ir mais longe no que atos produzem, atos que produzem barreiras. mas tamb\u00e9m abrem brechas. craquel\u00ea.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ativar o corpo para remexer o que tanto paralisa. reorganiza\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas, adquirir novas trilhas e novos sustentos, \u00e9 o que chamo de enviesar. olhar doutros modos, refazer maneiras, procurar. o que pulveriza por a\u00ed que vem em textos acordes almeja uma montanha, um monte, um percurso. \u00e9 por ora um sopro, \u00e0s vezes no [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,3,5,7,8],"tags":[72,76,75,74,73],"class_list":["post-357","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-brilho","category-cla","category-respiro","category-sustento","category-vento","tag-agroecologia","tag-cripto","tag-protesto","tag-texto","tag-trabalho"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/inesnin.net\/vox\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/357","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/inesnin.net\/vox\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/inesnin.net\/vox\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/inesnin.net\/vox\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/inesnin.net\/vox\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=357"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/inesnin.net\/vox\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/357\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":362,"href":"https:\/\/inesnin.net\/vox\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/357\/revisions\/362"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/inesnin.net\/vox\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=357"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/inesnin.net\/vox\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=357"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/inesnin.net\/vox\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=357"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}