{"id":151,"date":"2016-04-21T03:38:14","date_gmt":"2016-04-21T06:38:14","guid":{"rendered":"http:\/\/inesnin.net\/vox\/?p=151"},"modified":"2018-12-16T18:08:13","modified_gmt":"2018-12-16T21:08:13","slug":"bichinho-inerte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/inesnin.net\/vox\/bichinho-inerte\/","title":{"rendered":"azulejo, bichinho inerte"},"content":{"rendered":"<p>contar uma anedota a cada noite, tal como fazem as redes que sugam nossos sentidos. uma ideia, um abracinho, murm\u00fario de ideia ainda se formando, e ent\u00e3o busca, e ent\u00e3o v\u00edcio, acorda, abre, l\u00ea o que est\u00e1 ali no fluxo, e logo se anodina, cataploft, cad\u00ea, cabia, caberia. agora ent\u00e3o s\u00f3 discursos intelig\u00edveis, f\u00e1ceis, diretos &#8211; jornalismo, pol\u00edtica, informa\u00e7\u00e3o. do real das vidas nos tornamos chatos, planos, vulner\u00e1veis, sem mito e sem hist\u00f3ria, qual trope\u00e7\u00e3o son\u00e2mbulo depois se formou.<\/p>\n<p>um abra\u00e7o em esquecimento por isso tudo que n\u00e3o se torna, que n\u00e3o chega a vingar, inclusive o abra\u00e7o, inclusive o encontro, tudo o que est\u00e1 prestes a, e se forma outra coisa, outra forma\u00e7\u00e3o de corrente, outro desvio na curva, outro acontecimento. n\u00e3o chega a ser e n\u00e3o chega a vir, ainda que em outro dia tanto entusiasmo, tanta cren\u00e7a de um dia chegar, e um dia ir, e os planos juntos, tanta bossa. depois tudo isso vira cren\u00e7a, anedota, inven\u00e7\u00e3o, corpo em riste, processo, at\u00e9 mentira.<\/p>\n<p>abra\u00e7os mentira e todo la\u00e7o, toda bossa, todo solfejo e toda perdi\u00e7\u00e3o, toda pedalada sem rumo, todo mist\u00e9rio que n\u00e3o quer sanar. e todos os ex\u00edlios que se cria para si, e h\u00e1 um ex\u00edlio em cada canto, cada mirada n\u00e3o fortuita, n\u00e3o acabada, cada mudan\u00e7a de cidade que pestaneja, que tem d\u00favida. que guarda em abra\u00e7os uma vida inteira, que n\u00e3o sabe mudar, que troca de ramo e de a\u00e7\u00e3o assim em meses, porque deseja outra coisa, mas ent\u00e3o ordenar, ordenar sem saber como, not\u00edcia, not\u00edcia, not\u00edcia.<\/p>\n<p>sim, se aquela merda toda mesmo vingar, aquela conspira\u00e7\u00e3o da via impressa e muito real num estado muito distante daqui, vai ser ruim sim, e n\u00e3o importa se para mim ou para voc\u00ea, vai impactar.<\/p>\n<p>se eu virar a not\u00edcia, se ela corpo em mim, se eu n\u00e3o souber anedota, escape, cachoeira, sonambulismo alegre e inven\u00e7\u00e3o: \u00e9 morte, \u00e9 viaduto, membrana morta, cidade suja, sem ch\u00e3o.<\/p>\n<p>o ch\u00e3o \u00e9 a mem\u00f3ria tua toda enviesada, espiralada, constru\u00e7\u00e3o feita a cada mil\u00edmetro, sentida sem nenhuma medida, s\u00f3 umas ladeirinhas a subir sem nem notar.<\/p>\n<p>\u00e9 amor, \u00e9 amor, \u00e9 coisa informe, \u00e9 abra\u00e7o em si, percorrer um espa\u00e7o, anotar.<\/p>\n<p>anota\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de fazer quando a gente tem d\u00favida, e a gente tem, eu sempre tenho, eu viol\u00e3o, que me olha e eu escrevo, escrevo enquanto meu discurso \u00e9 um viol\u00e3o. meu interlocutor, maior que todas as frestas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>contar uma anedota a cada noite, tal como fazem as redes que sugam nossos sentidos. uma ideia, um abracinho, murm\u00fario de ideia ainda se formando, e ent\u00e3o busca, e ent\u00e3o v\u00edcio, acorda, abre, l\u00ea o que est\u00e1 ali no fluxo, e logo se anodina, cataploft, cad\u00ea, cabia, caberia. agora ent\u00e3o s\u00f3 discursos intelig\u00edveis, f\u00e1ceis, diretos 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